B elo Horizonte — O crime de vandalismo no memorial do Clube da Esquina, localizado na tradicional esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza , Região Leste de Belo Horizonte segue sem resposta. O local amanheceu com manchas de tinta vermelha em 23 de outubro. Até o momento, ninguém foi detido.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) disse, por meio de nota, nesta quarta-feira (4/11), que aguarda os resultados dos laudos periciais.

“Equipes de policiais da Delegacia de Eventos e Proteção ao Turista também seguem realizando levantamentos de campo para o esclarecimento dos fatos. Outras informações serão repassadas após o avanço dos trabalhos investigativos”, diz o texto.

A Prefeitura de Belo Horizonte informou ao Metrópoles que por ser privado o local foi limpo pelos responsáveis.

“Eu vou te pegar”

Na manhã dos fatos, o prefeito Álvaro Damião foi até o local, garantiu que o responsável será encontrado e avisou: “Eu vou te pegar”. “Um dos principais patrimônios da história cultural de Belo Horizonte , de Minas e do Brasil, e vieram aqui e jogaram essa tinta para vandalizar o que é de Belo Horizonte, de nós mineiros e de nós brasileiros — porque o Clube da Esquina atingiu o mundo. Eu vou dar um recado para você que fez isso: eu vou te pegar, eu vou te pegar”, disse.

Damião lembrou o caso do autor de uma pichação no bairro Horto, na mesma região, que foi responsabilizado recentemente. No início do mês passado, o homem que pichou um pontilhão recém-restaurado foi identificado e multado em R$ 2 mil.

Yé Borges, irmão de Lô Borges, esteve no local e contou à imprensa que, segundo uma testemunha, a pessoa responsável pelo vandalismo gritou “Fora Lula”. “A senhora que mora aqui, depois que foi jogada a tinta, escutou a pessoa gritando ‘Fora Lula’. Não precisa disso. Vota em quem quiser, vota no 22, vota onde você quiser. Mas não precisa agredir ninguém. Não precisamos chegar a essas vias, cara. Isso é péssimo para a sociedade”, lamentou.

Ponto simbólico

O local é um dos pontos simbólicos da história musical da capital mineira. O Clube da Esquina foi um movimento musical que surgiu em Belo Horizonte, entre as décadas de 1960 e 1970, reunindo artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges. A esquina se tornou um marco da cidade por sua ligação com os encontros e a trajetória dos músicos.

O Bar do Museu Clube da Esquina funciona como espaço cultural e gastronômico dedicado à memória do movimento. O estabelecimento reúne fotografias, discos e objetos históricos, além de promover apresentações musicais e exposições.

O Bar e Museu Clube da Esquina soltou uma nota.

Veja a íntegra :

“Hoje, nossa esquina amanheceu marcada por um ato de vandalismo. Um gesto de desrespeito não apenas a um espaço físico, mas a um lugar que representa um dos capítulos mais importantes da música e da cultura brasileira.

A esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis é muito mais do que um endereço. É um símbolo de encontros, amizades, sonhos e de um movimento musical que nasceu em Minas Gerais e ganhou o mundo.

Para nós, do Bar e Museu Clube da Esquina, esse lugar é parte da nossa identidade, da nossa essência e da missão que carregamos todos os dias: manter viva essa história.

Às vésperas do aniversário do nosso eterno Bituca, ver esse espaço desrespeitado torna tudo ainda mais doloroso. Repudiamos profundamente esse ato e reforçamos que preservar a memória do Clube da Esquina é preservar um patrimônio cultural e afetivo que pertence a todos nós.

Seguiremos cuidando, valorizando e celebrando esse legado, com o respeito e o amor que ele merece.

Porque podem manchar nossas paredes, mas jamais apagar nossa história.

Bar e Museu Clube da Esquina”