Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota foi velada e enterrada, na tarde desta sexta-feira (23), no Cemitério Municipal de Jaboticatubas , na Grande BH. A Polícia Civil encontrou o corpo da jovem, que tinha 27 anos e estava desaparecida desde 9 de outubro, no meio da semana .
Antes do sepultamento, amigos e parentes fizeram uma carreata pela cidade e prestaram as últimas homenagens à vítima. Conhecida como Bia, ela trabalhava em uma loja de materiais para festas e era descrita como extrovertida e companheira .
"Essa carreata é não só um protesto, mas também para despedir dela direito, porque, no enterro, a gente não pode ficar nem 30 minutos lá, por causa do [estado do] corpo", disse Giovanna Neves de Castro, irmã de Beatriz, à TV Globo .
De acordo com a família, antes de desaparecer, Beatriz também havia comentado que poderia estar grávida. A informação ainda depende de confirmação por exames do Instituto Médico Legal (IML).
Feminicídio premeditado
A Polícia Civil investiga o assassinato de Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota como feminicídio premeditado . Em coletiva de imprensa, a instituição informou que a cova onde o corpo foi enterrado havia sido preparada antes de a vítima e os suspeitos chegarem ao local.
A causa da morte ainda será determinada pelo IML. De acordo com o boletim de ocorrência, as mãos da vítima estavam amarradas com um pedaço de arame. Perto da cova também foram encontrados um chinelo, a capinha de celular da vítima, um tijolo com marcas de sangue e um pacote de soda cáustica.
Depoimento de adolescente ajudou nas buscas
Os investigadores chegaram até adolescente depois de identificarem contradições nos relatos iniciais dos suspeitos e obterem informações de que ela saberia o paradeiro da vítima.
Ouvida na presença do pai, a jovem admitiu o receio de sofrer retaliações por parte do casal, mas colaborou com as equipes e se prontificou a guiar os policiais até o local onde o corpo foi enterrado, de acordo com a Polícia Civil.
Segundo o relato da adolescente, Carla enviou uma mensagem avisando que iria buscá-la em casa junto com Samuel de carro. De lá, foram encontrar Beatriz perto de um bar para conversar. Ainda conforme a jovem, Samuel ligou para a vítima e pediu que ela fosse até o automóvel.
Beatriz sentou-se no banco traseiro do veículo. Durante o trajeto de cerca de 20 minutos até a região conhecida como "Terra dos Portugueses", o casal discutiu com a vítima sobre desavenças anteriores.
Ao chegarem a uma área de lotes vagos, os suspeitos desceram do automóvel e foram até um matagal. Cerca de 30 minutos depois, os dois retornaram sem Beatriz, mantendo silêncio no caminho de volta.
A adolescente que prestou depoimento é tratada como testemunha e, até o momento, não há indícios de que ela teve participação no crime.
Investigação em andamento
A Polícia Civil apontou que o crime pode estar relacionado com desavenças entre a vítima e a atual namorada de Samuel . O suspeito também possui histórico prévio de violência doméstica.
Os celulares de todos os envolvidos foram apreendidos e encaminhados para análise pericial. A conclusão sobre a real motivação do assassinato depende do avanço das investigações.
Dia do desaparecimento
Conforme o boletim de ocorrência, na noite de 9 de outubro, Beatriz estava em um bar com amigos, no bairro Bosque dos Coqueiros, quando um carro parou no local, por volta das 19h.
Ela foi até a janela do veículo para conversar com os ocupantes e, antes de entrar no automóvel, avisou aos colegas que voltaria em alguns minutos.
À TV Globo , a irmã de Beatriz, Giovanna Neves de Castro, contou que a jovem teria ficado "bastante nervosa" ao receber uma ligação enquanto estava no estabelecimento.
"Ela pediu cinco minutos para ir até a rua de baixo para encontrar alguém e disse que, se não voltasse, para irem atrás dela. Após ela não retornar, os amigos foram atrás dela e não souberam mais do paradeiro", relatou a familiar.
Segundo informações apuradas pela TV Globo , Beatriz ainda voltou ao bar antes de desaparecer e relatou que estava com medo porque havia uma mulher que ela não conhecia dentro do carro. Em seguida, saiu novamente.
Os amigos também afirmaram à polícia que ouviram pessoas de dentro do carro insistindo para ela entrar. Em seguida, o veículo foi embora, e a jovem não foi mais vista.
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