Uma série de ameaças de bomba provocou transtornos no transporte aéreo europeu nessa quinta-feira (5/11). Pelo menos 27 voos foram afetados em diferentes países, levando ao desvio de aeronaves, pousos não programados e mobilização de caças militares. Apesar do clima de tensão, todos os aviões pousaram em segurança e nenhum explosivo foi localizado.
Os alertas foram enviados por e-mail a aeroportos e autoridades responsáveis pela aviação civil. Algumas mensagens foram assinadas por supostos integrantes do “Estado Masculino” , movimento ultranacionalista russo conhecido por posições extremistas, discurso misógino e apoio à invasão da Ucrânia. Até o momento, porém, não há confirmação de que a organização tenha participado dos episódios.
Entre os países atingidos estão França, Itália, Bulgária, República Tcheca, Bélgica, Romênia e Áustria. As autoridades acionaram protocolos de emergência para garantir a segurança dos passageiros e das tripulações.
Um dos episódios envolveu um Airbus A320 da companhia irlandesa Aer Lingus, que seguia de Dublin para Roma. Após a identificação de uma possível ameaça, o avião foi interceptado por caças franceses e direcionado à base militar de Évreux, no norte da França. Os 151 passageiros e seis tripulantes desembarcaram sem ferimentos.
Na Bulgária, três aeronaves da Ryanair foram acompanhadas por caças MiG-29. Um dos voos, que havia partido de Londres com destino a Sófia, precisou ser desviado para Plovdiv. Na Itália, um avião da Finnair também recebeu escolta militar durante o trajeto até o aeroporto de Fiumicino, em Roma.
Movimento extremista
Os e-mails enviados às autoridades aeroportuárias continham ameaças de explosões e acusações contra governos europeus. Em algumas mensagens, os remetentes se apresentavam como integrantes do chamado “Estado Masculino” e utilizavam expressões de ódio contra mulheres e instituições políticas.
O movimento surgiu na Rússia e ganhou notoriedade por campanhas de intimidação e ataques virtuais contra mulheres e minorias. A organização foi classificada como extremista pela Justiça russa em 2021, mas passou a apoiar a ofensiva militar de Moscou contra a Ucrânia no ano seguinte.
Especialistas alertam, entretanto, que a utilização do nome do grupo nas mensagens não comprova sua participação. A identidade dos responsáveis pelos alertas permanece desconhecida.
Estratégia de desestabilização
A sucessão de ameaças ocorre em meio ao aumento das preocupações europeias com operações de guerra híbrida, expressão utilizada para descrever ações de sabotagem, ataques cibernéticos e outras estratégias destinadas a provocar instabilidade sem recorrer diretamente a confrontos militares convencionais.
Governos europeus já acusaram a Rússia de envolvimento em episódios dessa natureza, acusações negadas por Moscou. No caso dos recentes alertas contra aeronaves, contudo, ainda não existem provas públicas que permitam atribuir a responsabilidade ao governo russo.
O comissário europeu de Transportes, Apostolos Tzitzikostas, condenou as ameaças contra passageiros e destacou que ainda é prematuro estabelecer uma ligação entre os diferentes incidentes.
A nova onda de alertas ocorre poucos dias depois de episódios semelhantes registrados na terça-feira (3), quando pelo menos dez voos comerciais também foram alvo de ameaças falsas.
As autoridades europeias seguem investigando a origem das mensagens e possíveis conexões entre os casos, enquanto aeroportos e companhias aéreas reforçam os procedimentos de segurança para evitar novos transtornos.

