Nas eleições de meio de mandato, as chamadas midterms dos Estados Unidos, que acontecem na próxima terça-feira (3), a disputa pela maioria do Senado americano promete ser um dos embates mais acirrados.
O pleito vai definir a composição do Congresso e tem impacto direto sobre o mandato do presidente Donald Trump , influenciando sua capacidade de implementar a agenda do governo nos próximos dois anos. Para Trump, que hoje tem um dos piores índices de aprovação desde o início do mandato , é crucial manter a maioria republicana na Câmara e no Senado.
➡️ Nos EUA, os senadores têm mandatos de seis anos. A cada dois anos, 1/3 das vagas são renovadas. Na próxima terça, 35 cadeiras estão em disputa — destas, 22 são atualmente ocupadas por republicanos e 13 por democratas.
Para retomar o controle, o Partido Democrata precisa chegar a 51 cadeiras . Já o Partido Republicano, para manter a maioria, precisa de apenas 50 . Isso porque, em caso de empate, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, tem o voto de minerva a favor dos republicanos.
O partido de Donald Trump entra nas midterms com a maioria de 53 senadores na Casa. A oposição ocupa 47 assentos.
Para inverter o placar, os democratas precisam "virar" quatro cadeiras , enquanto tentam manter outras consideradas vulneráveis, em especial Michigan. Os estados de New Hampshire e Georgia, apesar das pesquisas recentes apontarem a manutenção do Partido Democrata, também entraram no radar.
Institutos de análise eleitoral classificam a competitividade das cadeiras em votação por nível de risco. Oito cenários aparecem com possibilidade de virada .
A busca pela vitória do lado democrata acontece em um cenário adverso diante de estados historicamente conservadores.
Veja abaixo quais estados são considerados decisivos nas urnas:
SAIBA MAIS: Eleições de meio de mandato nos EUA: o que são as midterms, quando será a votação e o que está em jogo em 2026
Alasca
No Alasca atualmente republicano, a democrata Mary Peltola aposta em seu perfil moderado. Ex-representante do estado na Câmara dos EUA entre 2022 e 2025, foi a primeira pessoa nativa do Alasca eleita para o Congresso.
Pescadora comercial e mãe de um militar, Peltola construiu uma imagem de política independente, com apoio em áreas rurais e entre comunidades indígenas e, ao mesmo tempo, apoiando a indústria de petróleo e gás.
Do outro lado está o republicano Dan Sullivan, senador desde 2015, que busca um terceiro mandato. Aliado de Donald Trump, tenta associar Peltola aos democratas de Washington contrários à exploração de combustíveis fósseis.
A eleição no Alasca também tem uma particularidade: outros dois republicanos estão na disputa, incluindo um candidato quase homônimo chamado Dan J. Sullivan Jr. , o que pode provocar confusão entre eleitores e dividir os votos republicanos a Dan Sullivan.
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Iowa
Atualmente republicano e tendo dado vitória a Trump em 2024 por 13 pontos, o estado tem recebido atenção dos democratas em meio à disputa em Michigan, que pode pender para os republicanos.
A disputa coloca frente a frente a republicana Ashley Hinson, deputada federal desde 2021, ex-apresentadora de televisão e aliada de Donald Trump, e, do outro lado, o democrata Josh Turek, deputado estadual e bicampeão paralímpico de basquete em cadeira de rodas.
Hinson aposta em seu perfil conservador e na experiência em Washington. Turek, por sua vez, tenta construir uma imagem de democrata moderado e explora a trajetória como atleta.
A estratégia democrata é explorar o descontentamento com a economia e os efeitos das tarifas comerciais sobre os agricultores, especialmente diante da queda dos preços agrícolas e do aumento dos custos de produção, como diesel e fertilizantes.
Já os republicanos tentam preservar a vantagem histórica no estado.
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Kansas
Tradicionalmente republicano, o Kansas se tornou uma disputa mais competitiva do que o esperado.
O democrata Adam Hamilton, pastor metodista que lidera a maior igreja do estado, enfrenta o senador republicano Roger Marshall. Nenhum democrata conquista uma cadeira no Senado pelo estado desde 1932, e Donald Trump venceu Kansas por 16 pontos percentuais em 2024.
Hamilton aposta em um discurso moderado para atrair eleitores de diferentes espectros políticos. No entanto, republicanos questionam seu posicionamento, como o apoio ao movimento Black Lives Matter e à criação de um caminho para a cidadania de imigrantes sem documentação.
A campanha democrata arrecadou mais recursos que a de Marshall e prevê investir US$ 18,3 milhões a mais que os republicanos.
Pesquisas indicam uma disputa apertada, com Hamilton aparecendo com vantagem de apenas um ponto percentual na média dos levantamentos.
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Maine
Após uma série de trocas do candidato democrata, o partido lançou Troy Jackson, ex-presidente do Senado estadual, para a disputa. Do outro lado, está a senadora republicana Susan Collins. Ambos vêm da indústria madeireira.
O Maine é uma das principais oportunidades de virada para os democratas neste ciclo .
No cargo desde 1997, Collins enfrenta sua eleição mais difícil. Única republicana a disputar a reeleição em um estado vencido por Kamala Harris em 2024, ela tenta manter uma postura moderada e independente a Donald Trump, mas carrega o desgaste do voto decisivo pela confirmação do juiz Brett Kavanaugh para a Suprema Corte em 2018.
O magistrado, anos depois, integrou a maioria que derrubou a decisão que garantia o direito das norte-americanas ao aborto .
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Michigan
Michigan é uma das principais disputas para o controle do Senado americano. A cadeira está aberta após o democrata Gary Peters desistir da reeleição.
Os candidatos são o republicano Mike Rogers, ex-deputado federal, e o democrata Abdul El-Sayed, de 41 anos, filho de imigrantes egípcios e nascido nos subúrbios de Detroit. Médico, El-Sayed pode se tornar o primeiro muçulmano a ocupar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos , caso seja eleito.
A candidatura de El-Sayed representa a ala progressista do Partido Democrata e foi marcada pela defesa de pautas sociais e pelas críticas à atuação de Israel em Gaza e à influência de grupos pró-Israel na política americana. As propostas do candidato chegaram a provocar um racha no partido durante as primárias.
O embate no estado é em busca do eleitor moderado. De um lado, El-Sayed quer conquistar eleitores independentes e unir democratas, enquanto Rogers, aliado de Donald Trump, pretende associar o adversário à esquerda socialista.
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Ohio
Atualmente republicano, Ohio é um dos estados em que os democratas têm maior possibilidade de recuperar uma cadeira no Senado, apesar de Donald Trump ter vencido no estado por uma margem expressiva em 2024.
A disputa coloca frente a frente o ex-senador democrata Sherrod Brown, que tenta retomar o cargo perdido para Bernie Moreno, e o republicano Jon Husted, nomeado para a vaga em janeiro de 2025, após JD Vance assumir a vice-presidência.
Apesar de Brown ter vantagem na arrecadação e contar com mais recursos para a campanha, a disputa segue sem um favorito claro .
Enquanto o democrata tenta associar Husted aos problemas econômicos enfrentados pela população, o republicano procura apresentar o rival como um candidato liberal demais para o perfil conservador de Ohio.
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Texas
A disputa pelo Senado no Texas, tradicionalmente conservador, acabou virando um teste importante para os democratas.
James Talarico, deputado estadual democrata desde 2018 e ex-professor da rede pública, enfrenta o republicano Ken Paxton, procurador-geral do estado desde 2015.
Talarico ganhou projeção no Texas com vídeos virais nas redes sociais em que critica a aproximação entre religião e políticas conservadoras. Também adota um discurso populista contra grandes empresas, bilionários e a influência do dinheiro na política.
Paxton, por sua vez, é um dos principais nomes da direita trumpista no estado e conta com o apoio de Donald Trump. Em um estado de fronteira, defende políticas migratórias mais rígidas, restrições ao aborto e ampliação do acesso a armas.
Sua trajetória, porém, é marcada por controvérsias: em 2023, sofreu um processo de impeachment na Câmara estadual por acusações de corrupção e abuso de poder, mas foi absolvido. Também respondeu a um processo por fraude de valores mobiliários, encerrado por meio de um acordo.
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Carolina do Norte
Estado tradicionalmente republicano, a Carolina do Norte é apontada como uma das principais oportunidades de virada democrata no Senado.
A cadeira está aberta após o republicano Thom Tillis desistir de disputar a reeleição, e coloca frente a frente o democrata Roy Cooper, ex-governador do estado, e o republicano Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.
Cooper foi procurador-geral por quatro mandatos e governou a Carolina do Norte entre 2017 e 2025. De perfil moderado, conseguiu vencer duas eleições para governador mesmo com Donald Trump também conquistando o estado.
Whatley, por sua vez, é aliado de Trump construiu sua carreira dentro do Partido Republicano sem nunca ter ocupado um cargo eletivo.
A disputa chama atenção porque, apesar de a Carolina do Norte ter votado em republicanos nas últimas quatro eleições presidenciais, Cooper demonstrou capacidade de conquistar eleitores além da base democrata.
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