O voo 402 da TAM caiu em 31 de outubro de 1996, pouco depois da decolagem de Congonhas rumo ao Santos Dumont. O acidente deixou 99 mortos e, segundo o Cenipa, começou com a abertura inesperada do reversor de empuxo do motor direito.
O acidente com o voo 402 da TAM completa 30 anos neste sábado (31). Em 31 de outubro de 1996, um Fokker 100 caiu sobre casas no Jabaquara, na zona sul de São Paulo, 24 segundos depois de decolar do Aeroporto de Congonhas.
A aeronave seguia para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Segundo o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), 99 pessoas morreram na tragédia.
Do total de vítimas, 95 estavam no avião: 89 passageiros e seis tripulantes. As outras quatro pessoas morreram nas ruas atingidas pela queda, na região da Rua Luís Orsini de Castro, a cerca de dois quilômetros do aeroporto.
O impacto destruiu imóveis residenciais e fez o avião pegar fogo logo após a colisão. Na época, o episódio foi o segundo maior acidente da aviação brasileira e segue como o mais letal envolvendo um Fokker 100.
A aeronave era comandada por José Antônio Moreno, de 35 anos, que tinha 9 mil horas de voo, sendo 3 mil em Fokker 100. O copiloto era Ricardo Luís Gomes Martins, de 28 anos, com 4 mil horas de experiência.
A investigação foi encerrada pouco mais de um ano depois, em dezembro de 1997. O Cenipa apontou que o acidente começou com a abertura inesperada do reversor de empuxo do motor direito durante a decolagem.
Esse equipamento ajuda a reduzir a velocidade do avião durante o pouso, mas foi acionado de forma indevida quando a aeronave tentava subir. O relatório informou que o reversor abriu e fechou repetidamente, o que comprometeu o desempenho do voo.
Os pilotos não receberam os alertas esperados sobre o problema e, no início, entenderam a falha como um defeito no sistema de aceleração automática. O documento também citou problemas de projeto e dificuldades da tripulação para identificar e responder à emergência.
Os pilotos não tinham treinamento específico para uma situação como a registrada na decolagem. Depois da apuração, o Cenipa fez recomendações de segurança sobre os sistemas da aeronave, o treinamento dos pilotos e os procedimentos operacionais.
A tragédia também deixou marcas no bairro. Em entrevista à Agência Brasil, em 2021, o jornalista Jorge Tadeu da Silva contou que parte do avião atingiu a casa de seus pais. A família sobreviveu, mas precisou reconstruir os imóveis e enfrentou dificuldades para conseguir indenização.
O caso também reacendeu discussões sobre a segurança de aeroportos cercados pela expansão urbana, como Congonhas, onde áreas residenciais ficaram próximas às rotas de pouso e decolagem.

