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Se mantiver o ritmo atual de vacinação contra a Covid-19, Minas Gerais pode levar em torno de cinco anos e dois meses para imunizar toda a população contra a doença. De acordo com o Canal Vacina Minas, do governo do Estado, até ontem, 15 dias após o início das aplicações, 167.827 pessoas haviam recebido a primeira dose da vacina, uma média de 11.188 por dia. Com essa velocidade, todos os 21,2 milhões de mineiros — incluindo os menores de 18 anos, que, por enquanto, estão fora do plano de imunização — só estariam protegidos em 2026.
Em Belo Horizonte, a perspectiva é um pouco melhor: a aplicação dos imunizantes seria concluída daqui a um ano e dez meses, considerando o ritmo atual. O cenário preocupa especialistas, uma vez que a celeridade do processo é essencial para o controle da pandemia.
De acordo com o imunologista Anthony Fauci, líder da força-tarefa americana de resposta à pandemia, para controlar o número de casos e mortes pela Covid-19, é preciso vacinar pelo menos 90% da população. No Brasil, até o momento, apenas 0,98% dos habitantes foram imunizados, segundo o banco de dados do Our World in Data, o que corresponde a 2,08 milhões de pessoas. Para imunizar toda a população, seriam necessários um pouco mais de quatro anos.
Até mesmo no maior Estado do país, o processo é lento: mantido o ritmo atual, São Paulo levaria quatro anos e sete meses para vacinar os mais de 46,2 milhões de habitantes. Até a tarde de ontem, 442.224 haviam sido imunizadas.
Para especialistas, o número de vacinados está bem aquém da capacidade do sistema de saúde. Na avaliação da professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Centro de Tecnologia de Vacinas (CT Vacinas), Ana Paula Fernandes, as consecutivas falhas do Ministério da Saúde, a falta de planejamento e as falhas de comunicação entre União e municípios são alguns dos fatores que contribuem para o atraso.
“O Brasil tem condição de acelerar esse processo, em termos de disponibilidade de logística e mobilização nós somos referências no mundo, a questão é a desorganização do governo. A lição que fica é que não dá para repetir futuramente os erros de agora. Nós temos capacidade para produzir e desenvolver uma vacina no Brasil e agora poderíamos estar protegendo nossa população e exportando, como a China e a Índia. Estamos pagando caro pela falta de investimentos”, afirma.
O infectologista Leandro Curi diz que cada dia sem vacina significa milhares de mortes a mais. “Infelizmente, a vacinação no Brasil deixou de ser saúde e virou guerra, disputa política. A ciência produziu em um ano várias vacinas, um recorde histórico, quem não conseguiu se organizar e acompanhar foram os governos”, avalia o especialista, destacando a importância de todos se vacinarem. “O importante é: quando chegar sua vez na fila de vacinação, vacine-se, não importa com qual (imunizante). Vacina é um pacto social”, conclui.
Fonte:O Tempo