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A Polícia Civil deflagrou hoje a Operação Anteros em São Paulo e em outros cinco estados contra uma organização especializada em fraudes pela internet em que os criminosos utilizavam perfis falsos maliciosos para aplicar golpes e extorsões. Durante as investigações foram identificadas 437 vítimas que tiveram prejuízo superior a R$ 24 milhões. Segundo a investigação, em todo o país, considerando as subnotificações, os números superam 2 mil vítimas que tiveram um prejuízo estimado, nos últimos três anos, em R$ 250 milhões. A operação acontece também em Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Ceará, Bahia e Roraima. Na região de Presidente Prudente (SP), foram identificadas 12 vítimas.
Os crimes eram cometidos através de redes sociais ou por aplicativos de namoros virtuais, onde os criminosos enviavam solicitação de amizade a potenciais vítimas, em especial funcionários públicos, idosos, independente do sexo, porém, todas tinha em comum alta faixa salarial e poder aquisitivo superior. O delegado responsável pelas investigações determinou o indiciamento de 210 pessoas. Hoje, a Polícia Civil cumpre 181 mandados de prisões preventivas, 216 mandados de busca e apreensão e o sequestro de R$ 5 milhões (entre bens móveis e imóveis), além do bloqueio e sequestro bancário de 329 contas (de pessoas físicas e jurídicas).
A operação de hoje é uma fase que teve origem com a operação Voo de Ícaro (cujo objetivo foi desarticular, no ano de 2019, organização criminosa que atuava em estabelecimentos prisionais, com a entrega de materiais utilizando-se de drones) em que, após análise de aparelho celular de preso naquela ação, identificou-se farta movimentação bancária que motivou nova etapa investigativa.
Como os criminosos atuavam
Segundo a polícia, após contatos iniciais de amizade, os criminosos iniciavam um namoro virtual com as vítimas, que em sua maioria acabavam por enviar fotos ou vídeos íntimos que posteriormente eram utilizados na extorsão. Nas conversas, um dos golpistas dizia que morava exterior e que precisava enviar uma herança para o Brasil, incentivando a vítima a ajudá-la com promessa de vantagem. Assim, pedia para a vítima receber o material em sua residência. Quando o material chegava, outra pessoa do grupo se passando por funcionário da alfândega contatava a vítima e informava que para liberar o material era necessário o pagamento de impostos, mas que por um valor menor conseguia a liberação do material. A vítima, então, acabava realizado os pagamentos, em dólar. Outros artifícios usados pelo grupo envolviam a cobrança de taxas de diplomacia, transporte de valores, etc. Como a vítima não conseguia a liberação do material, ao ameaçar denunciar o golpe, eram chantageadas com as fotos e vídeos íntimos. A Polícia Civil conseguiu demonstrar como a organização criminosa era estruturada: existia a figura do “fakelover” (responsável por contatar as potenciais vítimas) e “o oficial” que se passava por funcionário da alfandega, diplomatas e outros. Existia também a ala dos “recrutadores” de contas e também os “operadores” (aqueles que repassavam o dinheiro rapidamente entre várias contas, após o depósito, dificultando o rastreamento). Ligados a estes, os “correntistas” (que recebiam de 7 a 10% dos valores arrecadados somente para emprestar sua conta corrente e fomentar a operacionalização). Por fim, havia os agentes da lavagem de capitais cuja finalidade é “esquentar”, ou seja, tornar o dinheiro ilegal em lícitos imóveis.
Fonte:Uol